E por falar em forma para o conteúdo...
Quando René Jules Lalique começou sua carreira como joalheiro por volta de 1882 a Arte da joalheria era praticamente inexistente. Até então, originalidade e inspiração eram substituídas pela suntuosidade e profusão das pedras preciosas.
As criações revolucionárias de René Lalique fizeram dele o grande mestre da joalheria moderna. Com referência nos movimentos art nouveau e art déco, ousava quando misturava materiais considerados não-nobres, como o esmalte, o marfim e o vidro às pedras preciosas e ao ouro. Criava jóias-paisagem, jóias-escultura, inspiradas nas formas da natureza expressando os mundos aquático e terrestre, animal e vegetal, muita das vezes onde essa simbologia se traduzia em mundos míticos. O corpo da mulher era para Lalique um elemento de ornamentação, seguindo o pensamento renascentista, conceito esquecido pelos contemporâneos. Era, sem dúvida, um homem muito além de seu tempo com o refinamento avant-garde de sua arte.
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Libélula - ornamento em ouro, enamel,
crisópraso, pedras semi-preciosas e diamantes |
Lalique teve seu trabalho difundido por celebridades da época, como a atriz teatral francesa Sarah Bernhardt que comissionou exuberantes peças que fizeram parte dos figurinos de suas montagens teatrais. Foi muito admirado também pelo magnata do petróleo Calouste Gulbenkian, um de seus maiores colecionadores. Peças Lalique que pertenceram a coleção pessoal de Gulbenkian podem ser apreciadas hoje na fundação que leva o seu nome, em Lisboa.
Lalique sempre teve a preocupação em preservar conceito e estilo, porém não queria que suas peças fossem privilégio para poucas pessoas.